Por Paulo Roberto 3 de maio de 2026
Há 90 anos, num 4 de maio de 1936, também uma segunda, Edna estava desesperada. Tinha perdido a única cópia do manuscrito de um livro que estava finalizando, “ Conversations at midnight ”, que iria para a gráfica no mês seguinte. Ela e o marido tinham chegado à ilha de Sanibel, na Flórida, para passar as férias. Era final da tarde de sábado, deixaram a bagagem no hotel, foram catar conchas na praia, quando voltaram o prédio tinha pegado fogo. Lá se foi bagagem e, pior, o livro. Passado o trauma, com o tempo ela conseguiu reconstruir a quase totalidade dos poemas perdidos. A azarada era Edna St. Vincent Millay, a primeira mulher a ganhar o Prêmio Pulitzer de Poesia, o Oscar do jornalismo criado em 1917 que homenageia 23 categorias, incluindo literatura. E não era algo incomum na rotina dela, acontecimento deste tipo. Do incêndio, eu digo. Apesar de que ela estava mais acostumada era a botar fogo em leitos alheios. Sim, Edna gostava de meninos & meninas, e passou por seus braços quase metade das pessoas interessantes da New York dos anos 1930 (pelo menos um outro um quarto passou pelos braços do marido, Eugen, que não só entendia e apoiava a esposa como, solidário, dava seus pulinhos pelo outro lado). Fora dos amassos, Millay também arrasava. Um livro seu, em pleno auge da Grande Depressão nos Estados Unidos, em que a maioria da população não tinha dinheiro nem pra comida, sua coletânea de sonetos, Fatal Interview, vendeu 35.000 exemplares. Nas duas primeiras semanas! Dividindo-se entre boêmia, amor livre, vida desregrada e rimas, ela esbanjava a capacidade de despertar fantasias sobre tal wild side . A mulher era de um magnetismo pós-quântico. Ajudou milhares de pessoas a saírem dos armários, de opção sexual ou de preconceitos. Mas não era muito de dar a mão e sair passeando depois de arrombar a porta. O telefone ainda não era muito difundido, mas mesmo que houvesse iPhones ela não ligaria no dia seguinte: já estava em outra. Ou outro. Ou ambos. Quem a conheceu de perto disse que ela se via ligada a um destino superior. Para Edna, aqueles que ela seduzia deviam se ver como “enobrecidos por terem sido amados e abandonados por ela”. Pra não dizer que não conhece a poesia dela, uma degustaçãozinha: Em breve te esquecerei, minha querida (Soneto IV) Em breve te esquecerei, minha querida Então aproveita ao máximo este teu pequeno dia, Teu pequeno mês, teu pequeno semestre Antes que eu te esqueça, ou morra, ou me vá embora, E nos separemos para sempre; daqui a pouco Te esquecerei, como disse, mas agora, Se me implorares com tua mentira mais encantadora Te prometerei com meu juramento favorito. Eu realmente gostaria que o amor fosse mais duradouro, E que os votos não fossem tão frágeis como são, Mas assim é, e a natureza conseguiu Lutar sem parar até agora,— Se encontramos ou não o que procuramos É irrelevante, biologicamente falando.
Por Paulo Roberto 3 de maio de 2026
O fim dos polinizadores: mais um passo rumo ao beleléu

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Com certeza já foram escritas sobre o Flamengo algumas centenas de milhares de páginas, em jornais, revistas, livros, e agora nas mídias sociais, então... Mas pouquíssimas das pessoas que têm escrito estas páginas tiveram uma convivência tão íntima e duradoura com o futebol do Flamengo como Antonio Pelosi, que entrou para o time aos 14 anos, chegou ao profissional, saiu e voltou como médico da equipe. Ficou no clube carioca por 47 anos... Leia mais...

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Outras vozes / Leituras
(Antonio Manoel dos Santos Silva)



UM OUTRO BREVIÁRIO






Maria Mortatti, um nome conceituadíssimo no meio acadêmico, vencedora do Jabuti 2012 e finalista do 2015, estreou na ficção com um “breviário” diferente. Uma poeta indicada por Antonio Manoel dos Santos Silva: “Quem é a autora dos poemas contidos no livro? Na capa, está presente o nome poético, Maria Mortatti, que não é todo o nome da autora, Maria do Rosário Longo Mortatti. Mas os poemas são anunciados como sendo de Soror Beatriz, cuja vida monástica está narrada na orelha da primeira capa: são poemas escritos entre 1976 e 1993, poemas que alguém encontrou entre as anotações da rotina da vida religiosa registradas nas páginas de seus diários.”


Parágrafo Novo

Pa

MEMÓRIAS DO ISOLAMENTO



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Graziela Delalibera, vencedora

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